Black Mirror, MIT e ANTIdisciplinaridade

10.01.2017

 

Hoje é o dia de inauguração, nosso primeiro post!

Começo contando que, em 2015, participei de uma espécie de festival de arte, ciência e tecnologia nos Estados Unidos. O desafio era 'hackear' as artes e criar algo muito interessante em 24 horas. O Hackathon, como é chamado esse tipo de evento, foi algo incrível que conto a seguir, pois o que mais interessa é onde tudo isso aconteceu: o MIT Media Lab, ou a Disneylândia da integração entre arte, ciência e tecnologia, como eu batizei. 

  Com mais de 25 grupos de pesquisa, o Media Lab promove o que o diretor do Laboratório, Joi Ito denomina ‘antidisciplinaridade’: uma cultura única na qual não existem barreiras disciplinares para abordagem de projetos. Com três décadas de existência, o laboratório está centrado na adaptabilidade humana e realiza pesquisas que vão desde iniciativas para tratar doenças como Alzheimer e depressão, passando pela socialização de robôs até o desenvolvimento de próteses inteligentes, que podem imitar ou mesmo ultrapassar as capacidades de membros biológicos. 

  Imagine-se entrando em um prédio de aspecto futurista e se deparar com laboratórios separados apenas por paredes de vidro, onde todos os projetos podem ser vistos. No vão central de cada andar há uma área livre de convivência com tapetes, sofás, mesas de ping-pong... 

  Ao caminhar pelos corredores do MIT Media Lab você se sente como em um episódio de Black Mirror e vê próteses de pernas robóticas, plantas ligadas a componentes eletrônicos e engenhocas que você não tem a menor ideia do que se trata.

  Ok, se você ainda não se convenceu de que esse é 'o lugar', eu conto que lá foi inventado o Guitar Hero, a tinta do Kindle e outras dezenas  de tecnologias que viraram produtos para consumidores.

  Com o lema que diz "o futuro é vivido e não imaginado", o Media Lab faz parte do departamento de pesquisa da escola de Arquitetura e Urbanismo da MIT (Massachusetts Institute of Technology). Ele foi fundado pelo professor do MIT Nicholas Negroponte em 1980, juntamente com o ex-presidente do MIT Ciência e conselheiro do presidente John F. Kennedy, Jerome Wiesner. As portas do edifício Wiesner foram abertas em 1985, e seu crescimento deveu-se aos trabalhos da Architecture Machine Group da MIT.

  Bom, sobre o festival que mencionei no início, eu acabei coreografando cadeiras robóticas. Mas isso é outra história e a Revista Científica da UERGS publicou "Ideias de Vanguarda: o Design do Festival Hacking Arts" um artigo inteiro que ajuda a entender o que rolou por lá.

[imagem original: http://www.yixieshi.com/20315.html]

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