Arte e ciência: nada a ver!

07.02.2017

 

Muita gente ainda pode pensar isso, mas por sorte o professor Leopoldo de Meis (1938-2014) não pensava assim. Leopoldo, um bioquímico consagrado internacionalmente e fundador do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ que hoje leva o seu nome, convidou artistas para participarem de projetos de ciência. Isso foi em 1995 e o primeiro convidado foi o artista plástico Diulcênio Ranguel. A ideia era contar episódios marcantes da ciência através de ilustrações com propósito educativo, ou seja, utilizando a arte para seduzir a atenção para as ciências. Essa experiência colocou artistas e cientistas juntos, trabalhando e se inspirando mutuamente num mesmo laboratório.

 

A união entre arte e ciência deu certo e assim nasceram três livros, em linguagem de graphic novels: um sobre o método científico, outro sobre a termodinâmica e um terceiro sobre as vacinas. A atmosfera artística parece ter inebriado o laboratório e, a partir de um curso de férias para estudantes do ensino médio, uma peça teatral foi montada. A intenção era encenar “Uma breve história da evolução do saber”. Estudantes de graduação, pós-graduação, jovens pesquisadores e o próprio professor Leopoldo formaram o elenco. A peça foi inspirada nos artigos científicos e livros escritos por de Meis e, depois de uma primeira apresentação, quase de improviso em um congresso de ciências, a peça tomou os palcos de diversos teatros do Brasil.

 

O enlace entre ciência e arte continuou dando certo e, ainda na era pré-Youtube,  foram produzidos vídeos de animação sobre contração muscular, respiração celular e sobre a explosão do conhecimento. Já na era do streaming, os vídeos ganharam um canal na internet com milhares de visualizações.

 

Embora ainda um pouco limitado ao campo da divulgação científica, a iniciativa de integrar artistas e cientistas no laboratório foi uma ação visionária na década de 90. E o professor Leopoldo recebeu grande reconhecimento por isso. De lá para cá, o IBqM tem sido berço de diferentes trabalhos de ciência e arte no seu Programa de Educação, Gestão e Difusão de Biociências. Com a criação de um Mestrado Profissional no Instituto, mais e mais trabalhos têm surgido nesta área.

 

Graças ao acaso, ou por obra do destino, mais precisamente a um cartaz nos corredores da UFRJ e um artigo que praticamente apareceu na minha tela, eu descobri essa possibilidade de fusão entre ciência e arte. Foi então que comecei a pensar que a vivência que eu tinha em ciências e em artes poderiam fazer sentido juntas. Na verdade, descobri que quando unidas (as áreas e as experiências), uma catalisa a outra, criando um novo sentido para cada uma delas. Isso foi para mim o começo de uma viagem singular que me levou ao mestrado, a realização da minha primeira obra de arte-ciência (o que conto no livro Da Ideia ao Aplauso) e ao doutorado. A viagem continua e, como percebo que para muita gente ciência não tem nada a ver com arte, a criação deste Blog assume uma parte  essencial  desta jornada.

 

 

Referências para esse Post:

 

Artigos sobre a história de Ciencia e Arte do Professor Leopoldo:

http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252005000400020&script=sci_arttext

http://chc.org.br/ciencia-e-arte-sera-que-essa-mistura-da-certo/

 

 

 

 

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